A Muud esteve 3 anos numa gaveta.

Esta não é a história de uma marca, é a história de uma pessoa.

Chamo-me Renata

Durante anos vivi em piloto automático, com a sensação de ter cem janelas abertas na cabeça, todas ao mesmo tempo. Não conseguia desligar, e não tinha ferramentas para isso.

Levei uns três anos a perceber que não era só stress. Era eu, a viver cada vez mais depressa e a sentir cada vez menos. Precisava de um motivo concreto para abrandar. Um gesto, não uma ideia.

Comecei por perceber que precisava de voltar a usar as mãos.

Montar o meu espaço de trabalho em casa foi por onde comecei. Construí, pintei, recuperei móveis. O trabalho com o corpo aliviava-me a cabeça, acalmava-me, e dava-me ordem. Enquanto o fazia, visualizava o que viria a seguir.

Tinha muitas perguntas e poucas respostas. Onde me via daqui a dois anos. Como queria viver.

Trabalho como Diretora Externa de Comunicação, e comecei a ter cada vez mais clientes terapeutas e psicólogos. Foi o contacto com eles que me foi despertando o interesse pela psicologia, pela psicoterapia, pela reprogramação biológica. Comecei a aplicar o que ia aprendendo: a meditar, a usar o corpo para regular o sistema nervoso.

Praticava tudo isso, mas continuava a sentir que não estava a criar nada meu, com um propósito meu.

O Barro

A cerâmica apareceu por proximidade. Vivo perto da Bajouca, freguesia do concelho de Leiria com tradição de olaria. Visitei olarias, fiz protótipos. E travei, porque aquilo que tinha em mãos era mais uma marca de pratos e canecas.

O que destravou foi uma formação na associação da Bajouca. Aprendi a trabalhar o barro, e o que ficou não foram as peças. Foi o processo, as mãos ocupadas, o tempo que aquilo obriga a levar, a cabeça a calar-se enquanto o corpo trabalha. Já tinha sentido isto antes, na obra. Desta vez reconheci o padrão.

Passei três anos a achar que estava a adiar a Muud. Afinal andava a juntar as peças.

Um dia pensei: eu sei de comunicação, ando a aprender sobre o corpo, eles sabem daquilo que eu não sei. E se juntasse tudo, a ferramenta feita por mim, com o barro, sustentada por eles?

E assim naceu a Muud

A Muud cria experiências através da cerâmica. A peça nasce na roda da Céu Pedrosa, oleira na Bajouca há pelo menos quatro gerações: o bisavô, o avô e o pai dela também foram oleiros, e ela aprendeu o ofício com o avô, aos 9 anos. Depois, a Muud aplica os furos e as texturas. Passa por três mãos: a que molda, a que textura e a tua, que pinta.

A primeira experiência, a Âncora, tem quatro momentos: criar, respirar, sentir, integrar. Não é preciso saber nada sobre mindfulness, nem ter uma hora livre, nem acreditar em nada em particular. São precisas as mãos e alguns minutos.

Um momento de presença nas tuas mãos.

A Muud não promete resolver nada. Uma peça de barro não resolve a vida de ninguém, e quem disser o contrário está a vender outra coisa.

Dá um sítio concreto onde pousar a atenção, e nos dias certos isso chega para interromper o automático.