Chamo-me Renata
Durante anos vivi em piloto automático, com a sensação de ter cem janelas abertas na cabeça, todas ao mesmo tempo. Não conseguia desligar, e não tinha ferramentas para isso.
Levei uns três anos a perceber que não era só stress. Era eu, a viver cada vez mais depressa e a sentir cada vez menos. Precisava de um motivo concreto para abrandar. Um gesto, não uma ideia.
Comecei por perceber que precisava de voltar a usar as mãos.
Montar o meu espaço de trabalho em casa foi por onde comecei. Construí, pintei, recuperei móveis. O trabalho com o corpo aliviava-me a cabeça, acalmava-me, e dava-me ordem. Enquanto o fazia, visualizava o que viria a seguir.